Cirurgia Ortognática

Queixo retraído: mentoplastia ou cirurgia ortognática? Entenda a diferença

Quando o queixo parece recuado, a dúvida mais comum é se o caso se resolve com um procedimento no mento ou se envolve a posição da mandíbula. São situações diferentes, com exames e indicações diferentes. Este texto explica essa distinção — a definição, porém, só acontece em avaliação presencial.

Publicado em 15/09/2026Revisado em 15/09/2026
Autor e revisor

Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Formação em cirurgia ortognática na SO'S Klinika, com Simonas Grybauskas (Lituânia); Hospital Universitário de La Princesa (Madrid, Espanha).

Queixo retraído: o que pode estar por trás?

Queixo retraído é a percepção de que a ponta do queixo está recuada em relação ao restante do rosto, especialmente vista de perfil. Essa aparência pode vir de duas origens principais: uma deficiência do mento, que é a projeção óssea final do queixo, ou um recuo de toda a mandíbula, chamado retrognatismo mandibular.

A diferença importa porque muda completamente a conduta. No primeiro caso, a mordida costuma estar equilibrada e o desequilíbrio é de contorno. No segundo, é comum haver alteração na mordida, na mastigação e, em parte dos casos, na respiração durante o sono.

Quando a mentoplastia pode ser considerada

A mentoplastia é a cirurgia que reposiciona o mento. Ela pode ser considerada quando a avaliação mostra que a mandíbula está bem posicionada, a mordida é funcional e o que falta é projeção ou altura na ponta do queixo.

É um procedimento de menor porte que a cirurgia ortognática, mas não substitui a correção de um problema esquelético maior. Usar mentoplastia para mascarar uma mandíbula recuada pode melhorar o perfil sem tratar a função — e nem sempre esse é o melhor caminho para o paciente.

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Quando a avaliação aponta para cirurgia ortognática

Quando a cefalometria e o exame clínico mostram que a própria mandíbula está posicionada mais para trás do que o esperado, falamos em retrognatismo. Nesses casos, a discussão passa a ser sobre reposicionar os ossos, e não apenas o contorno do queixo.

Esse quadro costuma vir acompanhado de uma relação dentária de Classe II e pode reduzir o espaço da via aérea, com possível repercussão em ronco e apneia do sono. O tratamento envolve preparo ortodôntico e cirurgia ortognática, sempre com indicação individualizada.

Entenda o retrognatismo em detalhe

Quais exames ajudam a diferenciar

O exame clínico do perfil e da oclusão é o ponto de partida. A telerradiografia de perfil com análise cefalométrica mostra a relação entre maxila, mandíbula e base do crânio, permitindo separar a deficiência de mento do recuo mandibular. A documentação fotográfica padronizada e, quando indicado, a tomografia de feixe cônico completam a análise.

Quando há queixa de ronco, sono não reparador ou pausas respiratórias relatadas, o estudo do sono pode ser incluído na investigação.

Os dois procedimentos podem ser combinados?

Sim, em casos selecionados. Há situações em que o avanço mandibular corrige a função e a mordida, mas ainda resta um desequilíbrio de contorno no mento; nesses casos, os dois procedimentos podem ser planejados em conjunto.

A definição de fazer um, outro ou os dois depende do diagnóstico, dos objetivos funcionais e das características individuais, e é tomada junto com o paciente e com o ortodontista após avaliação presencial.

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Perguntas frequentes

Queixo retraído é sempre retrognatismo?
Não. Em parte dos casos o recuo é apenas do mento, com mandíbula bem posicionada e mordida equilibrada. A distinção depende de exame clínico e análise cefalométrica.
A mentoplastia melhora a mordida?
Não. A mentoplastia atua no contorno do mento e não corrige a relação entre os dentes. Quando existe alteração de mordida associada, a avaliação ortodôntico-cirúrgica é necessária.
Como sei se o problema está no queixo ou na mandíbula?
A análise cefalométrica, combinada ao exame clínico e às fotografias padronizadas, mostra a posição da mandíbula em relação à maxila e à base do crânio. Esse conjunto separa a deficiência de mento do retrognatismo mandibular.
Queixo retraído pode ter relação com apneia do sono?
Pode, quando o recuo é da mandíbula, porque isso reduz o espaço da via aérea. A investigação do sono é indicada quando existem sintomas sugestivos.
A cirurgia ortognática é sempre necessária?
Não. Casos leves ou de componente predominantemente dentário podem ter outras possibilidades, e em pacientes em crescimento existem alternativas ortopédicas. A indicação é sempre individual.
Em resumo

Quando o queixo parece recuado, a dúvida mais comum é se o caso se resolve com um procedimento no mento ou se envolve a posição da mandíbula. São situações diferentes, com exames e indicações diferentes. Este texto explica essa distinção — a definição, porém, só acontece em avaliação presencial.

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Conteúdo escrito e revisado por Dr. Guilherme Lima, cirurgião bucomaxilofacial (CRO-RJ 38327), Barra da Tijuca — Rio de Janeiro.

Este material tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta presencial. Diagnóstico, indicação e conduta dependem de avaliação clínica individualizada; respostas ao tratamento variam de pessoa para pessoa.