Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Formação em cirurgia ortognática na SO'S Klinika, com Simonas Grybauskas (Lituânia); Hospital Universitário de La Princesa (Madrid, Espanha).
Queixo retraído: o que pode estar por trás?
Queixo retraído é a percepção de que a ponta do queixo está recuada em relação ao restante do rosto, especialmente vista de perfil. Essa aparência pode vir de duas origens principais: uma deficiência do mento, que é a projeção óssea final do queixo, ou um recuo de toda a mandíbula, chamado retrognatismo mandibular.
A diferença importa porque muda completamente a conduta. No primeiro caso, a mordida costuma estar equilibrada e o desequilíbrio é de contorno. No segundo, é comum haver alteração na mordida, na mastigação e, em parte dos casos, na respiração durante o sono.
Quando a mentoplastia pode ser considerada
A mentoplastia é a cirurgia que reposiciona o mento. Ela pode ser considerada quando a avaliação mostra que a mandíbula está bem posicionada, a mordida é funcional e o que falta é projeção ou altura na ponta do queixo.
É um procedimento de menor porte que a cirurgia ortognática, mas não substitui a correção de um problema esquelético maior. Usar mentoplastia para mascarar uma mandíbula recuada pode melhorar o perfil sem tratar a função — e nem sempre esse é o melhor caminho para o paciente.
Ver a página de mentoplastiaQuando a avaliação aponta para cirurgia ortognática
Quando a cefalometria e o exame clínico mostram que a própria mandíbula está posicionada mais para trás do que o esperado, falamos em retrognatismo. Nesses casos, a discussão passa a ser sobre reposicionar os ossos, e não apenas o contorno do queixo.
Esse quadro costuma vir acompanhado de uma relação dentária de Classe II e pode reduzir o espaço da via aérea, com possível repercussão em ronco e apneia do sono. O tratamento envolve preparo ortodôntico e cirurgia ortognática, sempre com indicação individualizada.
Entenda o retrognatismo em detalheQuais exames ajudam a diferenciar
O exame clínico do perfil e da oclusão é o ponto de partida. A telerradiografia de perfil com análise cefalométrica mostra a relação entre maxila, mandíbula e base do crânio, permitindo separar a deficiência de mento do recuo mandibular. A documentação fotográfica padronizada e, quando indicado, a tomografia de feixe cônico completam a análise.
Quando há queixa de ronco, sono não reparador ou pausas respiratórias relatadas, o estudo do sono pode ser incluído na investigação.
Os dois procedimentos podem ser combinados?
Sim, em casos selecionados. Há situações em que o avanço mandibular corrige a função e a mordida, mas ainda resta um desequilíbrio de contorno no mento; nesses casos, os dois procedimentos podem ser planejados em conjunto.
A definição de fazer um, outro ou os dois depende do diagnóstico, dos objetivos funcionais e das características individuais, e é tomada junto com o paciente e com o ortodontista após avaliação presencial.
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