Mordida aberta esquelética: diagnóstico e tratamento cirúrgico
Desarmonia vertical craniofacial em que os dentes anteriores não se tocam com os posteriores em oclusão máxima. Quando a origem é esquelética, o tratamento do adulto combina ortodontia e cirurgia ortognática.
O que é
A mordida aberta anterior é a presença de espaço vertical entre os incisivos superiores e inferiores quando os dentes posteriores estão em oclusão máxima. Diferentemente da mordida aberta dentária — restrita à posição dos dentes nos alvéolos —, a forma esquelética decorre do crescimento desproporcional das bases ósseas maxilar e mandibular e está associada a um padrão hiperdivergente de crescimento facial.
- Padrão hiperdivergente: aumento da altura facial inferior em relação à superior.
- Plano mandibular inclinado: ângulos verticais e plano oclusal mais acentuados.
- Incompetência labial: dificuldade de fechar os lábios espontaneamente em repouso.
- Crescimento vertical excessivo: frequentemente com componente genético.
A etiologia é multifatorial: predisposição genética, hábitos bucais deletérios prolongados (sucção digital, chupeta, interposição lingual) e padrões respiratórios alterados.

Sintomas
- Ausência de trespasse vertical entre os incisivos anteriores
- Perfil facial convexo ou reto com aumento da altura facial inferior
- Dificuldade de vedamento labial espontâneo
- Sorriso gengival em parte dos casos
- Mastigação ineficiente e, em alguns pacientes, alterações de fala
- Na avaliação radiográfica: ângulos verticais aumentados na cefalometria, padrão esquelético Classe II ou III com tendência vertical e excesso vertical de maxila ou mandíbula
Tratamento
Em pacientes adultos, a referência de tratamento da mordida aberta esquelética é a combinação de ortodontia com cirurgia ortognática. O tratamento isolado com ortodontia apresenta taxa relevante de recidiva vertical nesses casos. Já mordidas abertas dentárias leves, especialmente em crianças e adolescentes, podem ser resolvidas com ortodontia e controle de hábitos.
Planejamento cirúrgico
- Osteotomia Le Fort I com impactação posterior da maxila: reposicionamento superior da porção posterior da maxila, rotação anti-horária do plano oclusal e correção do excesso vertical posterior.
- Osteotomia sagital bilateral da mandíbula (BSSO): indicada quando a autorrotação mandibular não é suficiente, permitindo avanço ou recuo conforme a relação esquelética e estabilizando a nova oclusão.
- Cirurgia bimaxilar: nos casos mais severos, corrigindo simultaneamente as discrepâncias anteroposteriores e verticais.
Todo o desenho dos movimentos é definido em planejamento virtual 3D, a partir de tomografia e escaneamento das arcadas.
Sequência de tratamento
- Ortodontia pré-cirúrgica: alinhamento dos arcos, descompensação dos incisivos e coordenação das arcadas.
- Cirurgia ortognática: reposicionamento das bases ósseas com fixação rígida interna.
- Ortodontia pós-cirúrgica: fechamento de espaços residuais, refinamento oclusal e uso de elásticos intermaxilares.
Estabilidade e resultados
Quando bem planejada, a correção cirúrgica tende a oferecer uma resolução funcional e estética duradoura na maioria dos casos. Ainda assim, algum grau de recidiva vertical pode ocorrer, sobretudo sem a devida estabilização pós-operatória. Contribuem para a estabilidade a longo prazo:
- Impactação posterior da maxila adequadamente planejada
- Fixação rígida interna
- Ortodontia pós-cirúrgica com elásticos verticais
- Controle de hábitos orais deletérios e das causas respiratórias
Perguntas frequentes
Mordida aberta na infância sempre vira cirurgia?
Qual a diferença entre mordida aberta dentária e esquelética?
Só ortodontia resolve a mordida aberta esquelética do adulto?
Quais cirurgias são usadas na correção?
O resultado é estável a longo prazo?
A mordida aberta esquelética é uma desarmonia vertical das bases ósseas. No adulto, o tratamento de referência associa ortodontia e cirurgia ortognática (Le Fort I com impactação posterior, BSSO ou bimaxilar), com resultado duradouro na maioria dos casos quando há estabilização adequada.