Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela EPM-UNIFESP; aprofundamento na Orofacial Pain Clinic, University of Kentucky (EUA).
O que é a artrocentese da ATM
A artrocentese é um procedimento minimamente invasivo realizado sob anestesia local (com ou sem sedação consciente) que consiste na punção e lavagem do compartimento articular superior da articulação temporomandibular.
O objetivo principal é a remoção de mediadores inflamatórios e citocinas algógenas, a lise de aderências capsulodiscal e a eliminação da pressão negativa intra-articular ('efeito vácuo'), permitindo a retomada da mobilidade condilar e discal.
Frequentemente, o procedimento é finalizado com a viscossuplementação (injeção de ácido hialurônico de alto peso molecular) para lubrificação e estímulo à biossíntese da cartilagem articular.
Quando o procedimento é indicado
A artrocentese enquadra-se no Nível 2 do algoritmo terapêutico da DTM articular, sendo indicada após correlação clínico-imaginológica em casos de:
1. Deslocamento de disco sem redução (DDsR) com limitação aguda ou subaguda da abertura de boca (travamento fechado).
2. Falha documentada do tratamento conservador prévio (placa estabilizadora, fisioterapia miofascial e farmacoterapia) por período de 3 a 4 meses.
3. Efusão articular inflamatória persistente documentada por Ressonância Magnética (RM), associada a dor articular refratária.
4. Osteoartrite e alterações degenerativas com sintomatologia dolorosa moderada a grave.
Fatores preditores de sucesso clínico (Estudos de Grossmann et al.)
Estudos liderados por Grossmann e colaboradores demonstraram que a artrocentese precoce em pacientes com DDsR apresenta alta taxa de sucesso para alívio da dor (redução significativa da EVA) e ganho de amplitude de abertura de boca (MID).
A literatura evidencia que a intervenção precoce (antes da cronificação de processos adesivos fibróticos) está associada a melhores prognósticos. Além disso, a redução da efusão articular na RM correlaciona-se diretamente com o alívio sintomático prolongado.
Avanços técnicos e dinâmica intraoperatória
Trabalhos recentes (Grossmann & Poluha, 2021–2025) refinaram a técnica com o uso de pontos de referência anatômicos milimétricos, cateteres assistidos por circuito fechado e manobras dinâmicas de mobilização mandibular transoperatória.
Essa mobilização controlada durante o fluxo contínuo de irrigação otimiza a dispersão do líquido e potencializa a liberação do disco preso na fossa mandibular.
Diferenças entre Artrocentese, Artroscopia e Cirurgia Aberta
Artrocentese (Nível 2): punção por agulhas, lavagem e infiltração, sem incisões cirúrgicas nem visualização direta por câmera.
Artroscopia / LLA (Nível 3): introdução de cânulas ópticas para inspeção visual direta, lise mecânica de aderências e cauterização de sinovite.
Cirurgia Aberta (Nível 4): discopexia ou substituição articular aberta, reservada para estágios estruturais avançados (Wilkes IV/V) ou insucesso de técnicas anteriores.
Pós-operatório e reabilitação funcional
O pós-operatório é habitualmente brando, com edema leve por 2 a 4 dias e desconforto mastigatório autolimitado.
A fisioterapia orofacial precoce e orientada é fundamental desde os primeiros dias para manter o ganho de abertura de boca, prevenir novas aderências e restaurar a cinemática mandibular.
Precisa de avaliação individual em Barra da Tijuca?
Falar no WhatsApp