Cirurgia Ortognática

Hiperplasia condilar: assimetria facial que progride com o tempo

A hiperplasia condilar é o crescimento excessivo de um dos côndilos da mandíbula. Ela produz desvio do queixo, assimetria facial e mudança progressiva da mordida. Antes de qualquer cirurgia, é preciso saber se esse crescimento ainda está ativo.

  • Dr. Guilherme Lima · CRO-RJ 38327
  • Cirurgião Bucomaxilofacial
  • Planejamento virtual 3D
  • Barra da Tijuca · Rio de Janeiro
  • Mais de 800 opiniões no Doctoralia

Como costuma se manifestar

  • Desvio do queixo para o lado oposto ao côndilo que cresce mais.
  • Assimetria facial que aumenta ao longo dos meses ou anos.
  • Mudança progressiva da mordida, com contatos que antes não existiam.
  • Inclinação do plano oclusal, perceptível no sorriso.
  • Em parte dos casos, dor, estalido ou limitação de abertura.
Reconstrução 3D de tomografia do crânio em vista frontal mostrando assimetria da mandíbula, com desvio do queixo e inclinação da mordida
Tomografia em 3D de um caso de assimetria mandibular: o queixo desvia para um lado e o plano da mordida fica inclinado. Exames como este ajudam a medir a deformidade e planejar o tratamento.

Por que o diagnóstico de atividade é central

Se o côndilo ainda está crescendo, corrigir somente a posição dos maxilares pode levar ao retorno da assimetria com o tempo. Por isso o primeiro passo não é operar, e sim entender se o processo está ativo ou já se estabilizou.

Essa definição orienta tanto o tipo de procedimento quanto o momento de realizá-lo, e é uma das decisões mais importantes do planejamento.

Cintilografia óssea SPECT em cortes coronais mostrando captação aumentada do traçador em um dos côndilos mandibulares
Cintilografia óssea (SPECT) em cortes coronais: o ponto mais brilhante indica maior atividade óssea em um dos côndilos. A comparação entre os lados ajuda a avaliar se o crescimento ainda está ativo, sempre interpretada junto com a clínica.

Como a investigação é feita

  • Comparação de fotografias e registros clínicos ao longo do tempo.
  • Documentação ortodôntica e análise da evolução da mordida.
  • Tomografia computadorizada para estudo tridimensional dos côndilos.
  • Cintilografia óssea em casos selecionados, para avaliar atividade.
  • Reavaliações periódicas quando o quadro ainda não está claro.
Infográfico explicando a cintilografia óssea: injeção do traçador, captação pelos ossos e aquisição das imagens pela câmera gama
Como funciona a cintilografia óssea: um traçador é injetado na veia, se fixa nos ossos com maior atividade e, após algumas horas de espera, é captado por uma câmera especial. Infográfico educativo.

Abordagens possíveis

Condilectomia alta

Remoção da porção do côndilo em crescimento, discutida em casos com atividade.

Cirurgia ortognática

Correção da assimetria já instalada, com planejamento virtual em 3D.

Abordagem combinada

Tratamento do côndilo e correção esquelética, em tempos definidos pelo caso.

Observação orientada

Acompanhamento quando ainda não há definição de atividade ou estabilidade.

Vista frontal do terço inferior do rosto com desvio do queixo para um lado e diferença de volume entre os dois lados da mandíbula
Assimetria do terço inferior do rosto: o queixo desvia para um lado e o contorno da mandíbula fica diferente entre os lados. A escolha da abordagem depende da atividade do côndilo e do grau da deformidade. Imagem ilustrativa.

Planejamento e ortodontia

O planejamento virtual em 3D permite estudar a assimetria em todos os planos e simular a correção esquelética antes da cirurgia. A execução no centro cirúrgico segue esse estudo, com as adaptações que o caso exigir.

O tratamento ortodôntico acompanha o processo antes e depois da cirurgia. A duração varia conforme a complexidade do caso, a resposta individual e o plano combinado com a equipe — não há prazo padrão aplicável a todos.

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Acompanhamento após o tratamento

O seguimento continua depois da cirurgia, com controles clínicos e de imagem para verificar estabilidade e função da articulação.

Casos com crescimento residual ou fatores articulares associados exigem vigilância mais longa. A conduta é ajustada conforme a evolução de cada paciente.

O que diz a literatura

Uma revisão de cirurgiões bucomaxilofaciais da Universidade Federal da Bahia descreve a hiperplasia condilar como um crescimento excessivo e progressivo de um ou dos dois côndilos, que pode atingir também o colo, o ramo ou o corpo da mandíbula. As consequências mais comuns são assimetria facial, alteração da mordida e dificuldades para falar e mastigar.

Os autores destacam que identificar o tipo de hiperplasia é decisivo para o tratamento. Radiografias seriadas, modelos da arcada, avaliação clínica repetida e cintilografia óssea são os recursos mais usados para definir o tipo e saber se o crescimento ainda está ativo. A partir disso, o plano cirúrgico trata o côndilo e corrige a deformidade dos maxilares, sempre de forma individualizada.

Relatos de caso: como o tratamento é individualizado

São relatos de casos isolados: mostram caminhos possíveis, mas não permitem generalizar o resultado para todos os pacientes.

Crescimento inativo

Em uma paciente de 25 anos, a cintilografia confirmou que o côndilo não estava mais ativo. Por isso, a correção foi feita com cirurgia ortognática dos dois maxilares, sem remover o côndilo. O preparo ortodôntico com mini-implantes foi essencial, e o resultado se manteve estável após 2 anos (Kim SS, 2023).

Crescimento ativo

Em um caso com crescimento ativo, dor e estalido, foram feitas no mesmo tempo a condilectomia alta e a cirurgia ortognática, com planejamento virtual e guias cirúrgicos impressos. Não houve sinais de retorno em 2 anos de acompanhamento (Diniz, 2019).

Contorno da mandíbula

Quando um lado da mandíbula é muito maior que o outro (hiperplasia hemimandibular), a cirurgia dos maxilares pode não bastar. Nesses casos, os autores associaram osteotomia do corpo da mandíbula ou desgaste da borda inferior (Kim HL, 2019; Pinto, 2017).

Guias personalizados

O desgaste da borda inferior da mandíbula pode ser guiado por uma goteira feita sob medida no computador, o que aumenta a precisão do contorno (Pinto, 2017).

Referências científicas

  • Rodrigues DB, Castro V. Condylar hyperplasia of the temporomandibular joint: types, treatment, and surgical implications. Oral Maxillofac Surg Clin North Am. 2015;27(1):155-67. PMID: 25483450.
  • Kim HL, Choi YJ, Kim H. Hemimandibular hyperplasia treated with orthognathic surgery and mandibular body osteotomy. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2019;155(5):714-724. PMID: 31053287.
  • Pinto I, Pinhão Ferreira A, Figueiredo AA. How to Achieve Facial Balance by Mandibular Contouring Ostectomy in Hemimandibular Hyperplasia. J Craniofac Surg. 2017;28(5):1362-1364. PMID: 28570396.
  • Kim SS, Jung KS, Kim YI, Park SB, Kim SH. Unilateral condylar hyperplasia treated with simultaneous 2-jaw orthognathic surgery and posterior segmental osteotomy. Angle Orthod. 2023;93(2):236-252. PMID: 36350296.
  • Diniz JA, et al. Virtual Surgical Planning and One-Stage Treatment of Active Hemimandibular Hyperplasia. J Craniofac Surg. 2019;30(7):e679-e681. PMID: 31306383.

Perguntas frequentes

O que é hiperplasia condilar?
É um crescimento excessivo do côndilo mandibular, geralmente de um lado só, que leva a desvio do queixo, assimetria facial e alteração progressiva da mordida.
Como saber se o crescimento ainda está ativo?
A investigação combina acompanhamento clínico ao longo do tempo, comparação de registros e exames de imagem, incluindo a cintilografia óssea em casos selecionados. Definir atividade é decisivo para escolher o momento do tratamento.
Por que a atividade muda a conduta?
Se o crescimento ainda está ativo, corrigir apenas os maxilares pode resultar em recidiva da assimetria. Nesses casos, discute-se a abordagem do próprio côndilo antes ou junto da correção esquelética.
Quais são as opções cirúrgicas?
Dependendo do caso, podem ser discutidas a condilectomia alta, a cirurgia ortognática para correção da assimetria já instalada, ou a combinação das duas. A definição é individual, feita com planejamento e avaliação presencial.
Hiperplasia condilar causa dor na ATM?
Pode haver dor, estalido ou limitação, mas nem sempre. Muitos casos se manifestam principalmente pela assimetria progressiva e pela mudança da mordida, sem dor importante.
A assimetria pode voltar depois da cirurgia?
Existe risco de recidiva quando o crescimento permanece ativo e não é tratado. Por isso o estudo da atividade antes de operar é uma etapa central do planejamento, e o acompanhamento continua depois.
Em resumo

A hiperplasia condilar exige, antes de tudo, definir se o crescimento ainda está ativo — é isso que orienta o tipo e o momento do tratamento. A avaliação e o planejamento são feitos presencialmente pelo Dr. Guilherme Lima, cirurgião bucomaxilofacial na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

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Conteúdo escrito e revisado por Dr. Guilherme Lima, cirurgião bucomaxilofacial (CRO-RJ 38327), Barra da Tijuca — Rio de Janeiro.

Este material tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta presencial. Diagnóstico, indicação e conduta dependem de avaliação clínica individualizada; respostas ao tratamento variam de pessoa para pessoa.